24 de set de 2010

Anseios humanos


Deitado, ouvindo os ruídos eternamente ecoantes nos confins de meus sonhos, eu sinto algo que não consigo teorizar. Sinto que é algo entre a esperança e o medo de não crê, é frio e soa meio triste para as canções que regem meu coração. O céu parece mais longínquo e esmagadoramente profundo, que nunca tinha reparado como era belo e aterrador. As estrelas, os confins do infinito, tudo ao som de um violino. Que estranho, até parece que a vida real possui uma trilha sonora, se não aquela que dou a ela, mas por que essa lógica não se encaixa no aqui e agora? Sinto-me assim, como o Universo, que está em mim e ao mesmo tempo e tão colossal que mal o conheço direito. Queria levantar, e poder cumprimentar aqueles que passam ao redor, mas, mais uma vez essa distância parece me levar cada vez mais fundo, mais fundo para aquele lugar dentro de mim que ainda não conheço, assim como essas galáxias que aqui não posso enxergar.

Olhos fixos para um imenso vazio, e a cada piscada e permutação de movimento das minhas pálpebras, sinto que vou me afogar em algo que não existe água. O que será isso?, Se torna mais forte a cada pensamento, onde deslumbro pensar que a minha vida junto com os meus semelhantes não é nada se comparado a esse céu negro coberto de pontos. Penso que nos jogaram aqui apenas para nos ver sofrer, buscando entender o porquê de ser o único que pergunta por que...

E como crianças, vamos desbravando de forma ingênua aquilo que nos é desconhecido, até um determinado saber nos mostrar a verdade esmagadora da nossa insignificância. Mas, não entendo ainda, por que penso isso, acho que a única coisa que sei, é que isso vai ficando mais forte e percebo, em minhas lembranças, algo que me deixava esquecer, nem que seja por um segundo seria a vida aqui fora, fora do mundo que chamo de eu, só que ela não some. Prendo-me nesse ciclo vicioso de buscar desesperadamente uma razão, pela qual não sei se existe, que só a flora quando a sinto perto de mim. Se Deus existe, será que ele poderia ser masoquista a ponto de nos negar a resposta elementar? Ou seria um pai que tenta ensinar seu filho pelos seus próprios meios o deixando mais forte? Infelizmente não sei

Apesar de tudo, estranhamente, me sinto confortável, em pensar que a esperança pode ser aquilo que me torne mais vivo, ou amenize essa dor desconhecida, de não saber o que existe lá fora, do que exista fora de mim mesmo e até dentro, a dor de não saber o que fazer.

Acho que alguém uma vez me disse, isso pode ser angustia, ou simplesmente anseio por aquilo que está por vim, ou simplesmente nunca virá.

E, me sinto estranho e ao mesmo tempo risonho, olhando para esse céu lindo, escuro, tenebroso e espelhado, como um morango doce que ainda não foi colhido, apenas desfrutando a sensação de presenciar uma lua que nunca chegarei um dia a enxergar. Bem, acho que é hora de andar, novamente por esse caminho que não sei aonde vai dá, que muitos chamam de vida.

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