3 de out de 2011

O garoto, o tempo e o momento.

17:59, horário um tanto quanto comum sem nenhum traço em especial, momento estável, em meio a um processo continuo. Em se tratando de tempo, bem, creio eu que é algo extremamente instigante como praticamente tudo gira em torno dele. Os gregos o chamavam de Cronos, meus amigos chamam de falta do que fazer, produtividade, organização ou apenas sentar e ver tudo isso passar de forma passiva. Esse mesmo ser, aparentemente invisível mas que é visto por todos, é um ser curioso no fim das contas. Oras, ele existe para todo mundo, mas não do mesmo jeito. Ele é universal, mas todos tem o seu.

Pensando nisso, eu me deparei observando coisas que fazem muito mais sentido acompanhadas desse grande tempo, que são os momentos. As vezes segundos são tão marcantes que ficam vivos por anos, ou uma vida inteira em determinada situação ou lugar passa como se não fosse um ínfimo de nano segundo. Por que é assim? Não pelo fato disso existir, mas por que esse mecanismo é tão intrigante, que faz passarmos por ocasiões assim? O que domina acima da natureza do tempo cronológico? Entre o individuo e o tal momento? O que é essa experiência tão única, não no âmbito mais obvio, mas no sentindo mais profundo desses acontecimentos? São perguntas que minha humilde razão não consegue chegar a nenhuma resposta ou respostas.

Mas um momento, pequeno que seja, parece se cristalizar dentro de você, como se fosse seu recanto de coisas nas quais você não gostaria que passasse de maneira nenhuma, não importando o que o outro tempo fez com elas com o decorrer dos anos. Alguns tem momentos de coisas banais, momentos de palavras ditas para não chocar, mas chocam, uma ação que fez você resignificar toda a sua existência. Existe também, aqueles que os destroem, apenas com um estalar ou tocar de um dedo. Estava lá, bonitinho, parado, guardado e seguro, até você abri espaço e alguém o tocá-lo. O engraçado de tudo isso, é que parece que esse cristal vira areia e se perde no próprio tempo, ou dando lugar um outro momento, que nem sempre é tão bom quanto o anterior. Por que pessoas fazem isso tantas vezes?

Eu já devo ter feito isso algumas vezes também, alias, estou condenado a esse destino, de ser humano sabe. Só que creio que tudo tem dois lados, ou vários caminhos, melhor dizendo, vários tempos. Hoje você é o maduro, amanhã é o infantil. Hoje é o que está por cima da situação, amanhã estará se lamentando por que não deu o devido valor ao momento que alguém lhe tanto ofereceu. Hoje você ganha, amanhã você perde.

18:21, e ainda me pego pensando nessa relação de tempo e momento, e incrível como cada vez mais fundo eu entro nesse reservatório de cristais, encontro cada coisa, cada coisa com gosto de saudade, outras de rancor, outras de felicidade, outras que quero esquecer mas não consigo, outras que parecem como se estivessem sido vividas hoje. E irônico como também coisas e pessoas tem o grande poder de modificá-las, tanto pro bem ou pro mau, depende de quanto você se abre pra alguém ou algo. Queria que as pessoas fossem menos frias no fim, parecem que todos estão com medo uns dos outros, sem razão as vezes, mas as vezes com razão. Sempre nesse sim, não e pode ser, as coisas se desdobram, sem ao menos se perguntarem o porque.

18:27, acho que já lembrei de mais, é o momento de viver outras coisas, caminhar nesse verdadeiro Deus de tudo, onde todos perecem, onde todos crescem e se constroem. Que venham mais cristais, tanto para o bem, quanto para o mau, no fim da vida, poderei apreciar todos eles e ter a certeza que eu estive por ai.

As areias... as vezes parecem tão finas, mas ao mesmo tempo tão densas, que no fim, são como o próprio tempo.

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